Funil Estreito - De 20 mil garotos que fazem testes por ano, só 10 são aproveitados pela base. "No Grêmio não temos peneira, mas um setor para avaliação. Peneira é depreciativo, feito com coletes. Nossos meninos vestem uniforme do clube, mesmo quem não será aprovado". A explicação é de Cláudio Djair Barbosa, coordenador do setor de avaliação e captação do clube. Mais conhecido com Cacau, 56 anos, esse ex-volante do Grêmio nos anos 70 chefia a equipe de olheiros do clube. Profissionais que viajam, de Março a Dezembro, Brasil afora. O Zagueiro Santiago, 16 anos, por exemplo, foi trazido do interior de Roraima. É Cacau quem estima que a cada ano mais de 20 mil garotos passam pelo Olímpico. Mas o funil é bem estreito. "Tiramos no máximo 10 jogadores", diz. Aqueles aprovados em uma primeira análise são convidados a embarcar para Porto Alegre. No Olímpico e no CT de Eldorado do Sul, disputam três coletivos contra o time B da categoria referente às suas idades. Durante duas semanas, precisam se manter por conta própria na cidade. O clube não oferece dormitório nem refeições. Esses privilégios só são concedidos em casos especiais, para jogadores que demonstrem grande potencial. Se aprovado, o garoto passa a treinar com a equipe de sua categoria. A maioria, porém, não consegue vencer a segunda etapa da avaliação. O sonho acaba em 15 dias ...
Fonte: Placar - Ed. 1342 - Maio / 2010
Promessas pelo Caminho - Transição entre categorias de base e profissional extermina sonhos e produz decepções na vida de aspirantes a boleiros - O badalado time júnior do Flamengo deixava o gramado do estádio Antônio Soares Oliveira, em Guarulhos, cabisbaixo pela eliminação precoce frente ao Internacional, nas quartas de final da Copa São Paulo de 2008. Um jogador, entre os flamenguistas, aparentemente não tinha motivos para se preocupar. O Centroavante "Pedro Beda" , 19 anos, havia marcado sete gols em cinco jogos e era exageradamente comparado a Batistuta pela sua força física e faro de gol.
O Batigol da Gávea logo aprendeu um pouco mais sobre o dinamismo do futebol. Em aproximadamente 40 dias, sem sequer ter estreado na equipe profissional do Fla, foi negociado para a Europa. Ele explica a pressa: "A gente sonha em jogar fora, né ? Vê times de tradição como Real Madrid, Manchester United e Barcelona, vê ídolos que jogam lá também, só os craques. Aí dá muita vontade também".
É verdade, mas Ele não se transferiu para nenhum desses três clubes. Seu destino foi o Heerenveen - o mesmo por onde passou Afonso Alves e que foi mencionado por Dunga como "aquele time da Holanda". Antes de seu embarque definitivo, em Agosto, o atacante já mostrava uma pontinha de arrependimento. Entre o anúncio de sua negociação e a ida para a Holanda, o Flamengo vendeu os principais jogadores ofensivos - Renato Augusto, Marcinho e Souza - e ficou praticamente sem opções para compôr o setor. "Achei que não teria oportunidade em 2008. Aceitei sair quando o Flamengo ganhou do América, lá no México, pela Libertadores, e tinha sete jogadores de frente no time profissional, recorda".
Enquanto o atacante cuidava dos preparativos para viajar para a Holanda, Caio Júnior perdia os cabelos atrás de soluções. Erick Flores e Paulo Sérgio, parceiros de "Beda" nos juniores, foram aproveitados. E o jovem centroavante perdeu uma boa oportunidade de se firmar com a camisa rubro-negra. "Não queria ir mais para a Europa. Meu sonho era jogar no Flamengo", admite.
Casos como o de "Pedro Beda" , não são exceções no exportador futebol brasileiro. Muitos garotos de talento, ansiosos por uma ascensão rápida, acabam se preciptando ao interpretar os benefícios de buscar o "sonho europeu". "Existe toda a fantasia e o glamour de se jogar fora do país. Mas, quanto mais jovem, maior a dificuldade de adaptação", pondera Kátia Rubio, presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte.
Fonte: Trivela - n. 39 / Maio 2009
Papel dos Clubes
Apesar do arrependimento, a pressa do jovem atacante do Heerenveen é compreensível se considerado o histórico de pratas da casa na Gávea. Jovens como Vinícius Pacheco, Nélio e Kayke também surgiram como promessas e se queimaram antes de construir uma reputação no cenário nacional.
O medo de se tornar mais um exemplo de garoto de talento que jamais explodiu é um grande fantasma na cabeça dos adolescentes que militam nas categorias de base dos clubes brasileiros. "A possibilidade de ser ou não jogador deve ser uma das tantas na vida dele. Na mesma idade, uns querem ser cantores de rock, e nem todos conseguirão. Se ele deposita todas suas fichas em uma possibilidade, corre o risco de viver uma grande frustração em um período fundamental da vida", alerta Kátia.
Os próprios clubes ajudam a alimentar a expectativa dos jovens. Muitos tratam as categorias de base como ferramenta para sua sobrevivência financeira e produzem, nos atletas, a sensação de que eles são, de fato, mais importantes do que talvez sejam. Meninos como Neymar, do Santos, Douglas Costa, do Grêmio, Phillippe Coutinho, do Vasco, ou Oscar, do São Paulo, recebem diversos cuidados e até têm suas entrevistas controladas, como se fossem astros.
Nesse cenário, são raros os casos de jogadores que, desde o início, não falam em uma aventura européia como objetivo da carreira. É o caso de Lucas Roggia , do Internacional. "Sei que muitos garotos saíram daqui e não vingaram. Por isso, trabalho para, atuar no Beira-rio lotado", explica o atacante de 17 anos ao ser lembrado dos gêmeos Diego e Diogo, que até hoje não deixaram o patamar de promessas qu carregavam anos atrás.
Já o meia Harrison, de 16 anos, considerado um dos jogadores de mais futuro do Atlético Paranaense, tem em seu projeto de atleta o tradicional roteiro desenhado por nove entre dez jogadores: clube grande brasileiro, depois seleção, depois Europa. O menino, bastante humilde e pacato, gosta do estilo Cristiano Ronaldo, e diz que se interessaria por uma transferência a um clube de ponta europeu, ainda que já na adolescência. "Os grandes estão lá, o melhor do futebol também. Além da condição financeira", explica.
Com uma origem simples e o desejo pelo estrelato, Harrison pode ser o Pedro Beda de amanhã. Ao se transferir para a Europa ainda muito jovem, pelo simples sonho de menino, um adolescente pode pôr à prova seu despreparo psicológico, cultural e, claro, futebolístico.
Poucos clubes brasileiros explicam a seus meninos a diferença em fazer sucesso em categorias de base, as dificuldades de se afirmar entre os mais velhos e, principalmente, deixar mais claro o que a Europa pode trazer. Basta ver o discurso de Pedro Beda assim que assinou com o Heerenveen.
"Esse clube não é tão pequeno assim. Se não me engano, é quem mais revela e vende jogadores na Holanda. Uma hora vou arrebentar lá".
Pedro Beda, em 24 rodadas da Eredivisie (Campeonato Holandês) esteve em campo apenas 8 minutos.
Fonte: Trivela - n. 39 / Maio 2009
As 10 melhores médias de público em eventos esportivos
1 - NFL - não adianta discutir: futebol nos EUA é jogado com as mãos. O tamanho da febre se explica com a média de público verificada na temporada 2008: nada menos do que 68.240 espectadores vibraram a cada touchdown.
2 - Liga Indiana de Críquete - A Índia tem um povo apaixonado por seu esporte nacional, embora soe estranho para nós que 58 mil pessoas (média de 2008) vejam uma partida que possa durar dias.
3 - Bundesliga - o primeiro campeonato de futebol a aparecer na lista vem da Europa. Na Alemanha, 42.565 pessoas assistiram a cada jogo do torneio na temporada 2008/09. Quem é mesmo o país do futebol ?
4 - Liga de futebol australiano - uma mistura do rúgbi com futebol americano atrai multidões na terra dos cangurus. Por lá, em 2008, 36.076 torcedores vibraram com os montinhos feitos em cima de algum infeliz que caía no gramado.
5 - Premier League - com uma das ligas de futebol mais ricas do mundo, a Inglaterra também conta com torcedores fiéis. Na temporada 2007/08, 36.076 fãs foram a cada jogo do torneio, mesmo que Rooney, Lampard, Gerrard e Fábregas não estivessem em um bom dia.
6 - Major League Baseball - os norte-americanos adoram qualquer esporte. Outra modalidade de pouco prestígio no Brasil, o beisebol atraiu 32.539 pessoas ávidas por um home run a cada partida da liga nacional de 2008.
7 - Liga de futebol canadense - outra vez uma variante local de futebol aparece na lista. Os canadenses amam a modalidade, bem parecida com o futebol americano, tanto que, em 2008, uma média de 29.206 fãs acompanharam cada partida.
8 - Liga Espanhola - tudo bem que a disputa pelo título se restrinja a Barcelona e Real Madrid, mas nem por isso os espanhóis deixam seu fanatismo de lado. Na temporada 2007/08, 29.206 seguidores foram às arquibancadas.
9 - Série A - os fãs do Calcio ficaram atrás de outras ligas européias de futebol, com média de 25.304 pessoas por jogo na temporada 2008/09.
10 - NPB - o beisebol tem de fato um público fiel. No Japão não seria diferente. Em 2008, 25.044 nipônicos viram a cada rebatida certa na liga nacional.
Fonte: ESPN
Público Copeiro
Se a Copa do Mundo entrasse na lista, o Mundial de 1994 ficaria em primeiro lugar. Nos Estados Unidos, na terra do soccer, a média de público por jogo ficou em 68.991,a maior da história das Copas e prova concreta de que os americanos realmente gostam de um jogo. Itália, em 1934, foi a pior, com apenas 21.058 pessoas por partida. O jogo recorde em mundiais é o triste Maracanaço de 50, quando cerca de 174 mil pessoas acompanharam a derrota do Brasil para o Uruguai - público equivalente a 10 % da população carioca na época.
Fonte: ESPN
Os Websites de clubes mais visitados (número de visitantes únicos anuais)
1 - Manchester United - 452,7 milhões
2 -Real Madrid - 271,6
3 - Arsenal - 205,6
4 - Bayern de Munique - 27,8
5 - Liverpool - 23,7
6 - Galatasaray - 16,7
7 - Olympique de Marselha - 16,1
8 - Internazionale - 15,4
9 - Glasgow Rangers - 14,5
10 - Barcelona - 14,3
11 -Milan - 12,5
12 - Fenerbahce - 12,3
13 - Chelsea - 11,3
14 - Aston Villa - 11,1
15 - Borussia Dortmund - 6,3
16 - Corinthians - 6,1
17 - Lyon - 5,9
18 - PSG - 5,7
19 - Juventus - 5,5
20 - Manchester City - 5,2
Outros números interessantes: Em Portugal, o website do Benfica lidera com 2,4 milhões de visitas por ano, enquanto, Porto e Sporting Lisboa aparecem com 1,8 e 1,4 respectivamente. No Brasil, a liderança é do Corinthians com 6,1 milhões de visitas por ano, seguido por Palmeiras e Internacional com 3,2 e 3,0 respectivamente.
Obs.: Os dados apresentados são uma estimativa com base na média de visitantes únicos diários fornecidos por Alexa.com; Compete.com e Quantcast.com
Fonte: Futebol Finance